quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Capítulos da Josi - Carnaval

CARNAVAL

Voltei!
E com algumas diferenças... uma barriguinha de 6 meses de gestação que justifica muita felicidade.  A primeira, e maior de todas, é a minha guriazinha, Ana Júlia, que está a caminho.
A segunda é a contagem regressiva para as férias. Bagé sabe ser fria, mas também sabe ser quente quando quer. E eu, que basta muito pouco para ter náuseas e outras “frescurites”, com esse calor, passo mais desmaiando do que acordada.
Mas semana que vem estarei na praia. A família e o ventinho do mar serão os meus remédios.
As férias, emendei com o carnaval! Ah sim, não tem como passar o carnaval só naqueles diazinhos. É preciso muito preparação. Não que eu seja uma foliã entusiasmada, na maioria das vezes passo as noites de carnaval assistindo aos desfiles das escolas do Rio, onde vou estar um dia. Carnaval contamina.
As  vezes fico pensando em como nós, gaúchos, seríamos se realmente fossemos separados do resto do país. Será que nosso carnaval seria igual ao dos uruguaios?
Nada contra, mas sambar de calça jeans realmente não é possível. E quem tenta se soltar parece mais com lagartixa andando no asfalto quente do que uma passista.
Não, definitivamente samba é coisa de brasileiro!
Eu sei que é uma festa que já perdeu muito das suas origens. Que hoje o carnaval está deturpado, promíscuo. Não sei até que ponto podemos colocar a culpa na festa, as propagandas de cervejas incentivando o consumo exagerado de álcool estão aí o ano todo e também contribuem com a violência no trânsito, o desequilíbrio das pessoas nos estádios de futebol e até nas festas de “família”.
Olhando além desses detalhes, o carnaval é uma das festas mais democráticas que se conhece. É também das mais diversificadas. Admite trios elétricos, desfiles grandiosos e bailes em clubes fechados, com acesso a todos.
Já não tem mais ênfase os bailes caríssimos com fantasias enormes e luxuosas. Está fora de moda.
Lá no clube da Barra do Chuí, onde já passei alguns carnavais, as rainhas se preparavam o ano todo e pagavam a decoração do clube. Detalhe, as rainhas são escolhidas pela diretoria, de acordo com a idade e, provavelmente, as posses da família. A escolha é surpresa e muitas gurias esperaram ouvir seu nome silabicamente perante todos. Hoje, acreditem, se tornou tortura. As gurias que estão na faixa dos 16 anos ficam tensas no momento do anúncio. Uma delas, há poucos anos, fugiu do salão quando ouviu seu nome. Imaginem ter que passar o carnaval com plumas e paetês enquanto todas as amigas estão com a camiseta do bloco customizadas e tênis.
Em São José do Norte é diferente, quem vai de fantasia se inscreve no desfile. Quem tem vontade arrasa na passarela e sai rainha do carnaval. Nunca participei, também não lembro de ter passado um carnaval com uma fantasia a altura da rainha. Sequer a fantasia de odalisca eu tive, bom mas isso é um trauma que a mãe vai ter que agüentar a culpa!
Em Santo Antonio da Patrulha, nunca tive oportunidade de participar pois nenhum nortense troca o carnaval do Norte, mas sei que a figura da rainha ainda é bem aceita. As gurias gostam da função e se divertem como soberana.
Uma coisa é comum a todos os lugares, Rio de Janeiro, Salvador, Uruguaiana, Barra do Chuí, São José do Norte, Santo Antonio da Patrulha...todos tem, para os seus, o melhor carnaval do mundo.
É isso gaúchos, deixemos de lado essa ideia de separatismo e vamos nos divertir com a festa profana que também é nossa.
Brasil, esquentai nossos pandeiros iluminai os terreiros que nós queremos sambar...
- Josi Borges -

domingo, 1 de janeiro de 2012

Sonhadora - por Suely Braga


   O DESPERTAR DE UM NOVO ANO
                                                                         SUELYBRAGA

Ano Velho desaparece.
Voa para o infinito.
deixa uma nuvem de saudade ,de lembranças.
Ano Novo desce numa dourada carruagem.
Traz na bagagem
vida,expectativas esperança.
Cristais tilintam.
Borbulham champanhas.
No ceu o cintilar das estrelas
confunde-se com a pirotecnia dos fogos de artifícios.
Abraços apertados,
alongados ,plenos de afeto ,de amor
Abraços vazios despidos de sentimentos.
Na areia branca da praia ginga o Iemanjá.
O planeta desperta com o rufar dos tambores.
O som da trombeta anuncia um Novo Ano.
O mundo gira veloz na roda do tempo.

                                                                 Osório, 27/12/2011.
            

sábado, 31 de dezembro de 2011

Reflexões Tempestivas - por Artur P. dos Santos

TODAS AS MARIAS

Hoje me lembrei de uma passagem em minha vida: Talvez tenha sido para te contar antes que o dia acabe: Eu era jovem e empreguei-me em uma Padaria. Todas as filhas de meu patrão chamavam-se Maria. Uma era Maria Helena, a primogênita, a segunda era Maria Elisa, a terceira era Maria Conceição e a quarta Maria Beatriz, e ainda tinha uma sobrinha que ele adotou, que se chamava simplesmente Maria. E minha irmã mais velha também se chamava Maria. Adivinha como é o nome da mulher que escolhi para me casar? Pois é, Maria. E agora tu, a quem escolhi para contar esta história pela primeira vez. Sei que me atrasei alguns minutos. Espero que todos os relógios do mundo estejam atrasados também, pois quero homenagear todas as Marias, em especial a mãe de Jesus. Tenho certeza de que sabes, Maria Cristina, que seu nome era MARIA, de Nazaré.

sábado, 24 de dezembro de 2011

O Natal que eu queria - por Suely Braga

Eu queria um Natal

sem fome.

Onde a Paz

florescesse entre os homens,

Onde não imperasse

a maldade e a arrogância,

nem a corrupção

e a violência.

Sem guerra, sem genocídios,

Sem injustiças, nem exclusão.

Onde todos se amassem como irmãos.

Não uma festa de Noel.

A grande comemoração

fosse para Aquele

que trouxe a Salvação.

Uma festa de igualdade,

de fraternidade,

de solidariedade.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Cotidiano - por Rosalva Rocha

As cartas
(por Rosalva Rocha – 05/12/2011)

Acabo de sair de uma sessão de cinema; porém, um pouco diferente das habituais: recostada displicentemente no meu sofá, com direito à pipoca, um squeeze com água e meia-luz.
Assisti ao filme NOITES DE TORMENTA, emprestado pela amiga-colega Benette.
Como todo bom filme, saio enebriada, com divagações diversas e louca para ter com quem discuti-lo. Não é o caso de hoje! São 23h22m. No chances!
Mas de tudo o que se passou o que mais chamou-me a atenção foram as cartas, as cartas que sumiram, que não mais são entregues pelos carteiros, não mais apanhadas na caixinha do correio e “cheiradas” antes de abri-las. Sim, eu cheirava as cartas antes de abri-las, especialmente quando o(a) remetente era alguém especial na minha vida.
Cartas que transportavam emoções, letras grandes, outras miúdas, algumas palavras desencontradas e, no final, quase sempre um fechamento inesperado, sutil.
Elas, com sua magia, eram capazes de adornar dias e dias com uma ternura sem fim.
Aonde foram parar?
Como boa (ou péssima! – não sei), guardadora de memórias, há meses atrás coloquei fora uma caixa enorme repleta de cartas de amigos, conhecidos, amores. Algumas delas continham até mesmo dissabores, mas eram cartas! A sua partida deixou-me triste por alguns dias e certa de que a outra caixa que ainda possuo somente terá o mesmo destino quando o meu coração estiver mais forte.
Será o tempo? a tecnologia? a constante mudança pela qual vamos nos adaptando sem perceber, como nuvem que passa? Não sei e não busco explicações; só sei que, prá mim, deixaram maravilhosas lembranças – e o filme provou isto de uma maneira profunda.
Sendo esta provavelmente a última crônica para o Insônias do ano, faço aqui um propósito: recomeçarei a escrever cartas. Não ousarei pensar que será um sacrifício postá-las nos Correios e, muito menos, se elas tocarão ou não alguém. Certamente eu serei tocada ao escrevê-las. Já bastará!

sábado, 10 de dezembro de 2011

Autoajude-se com boa leitura

Uma cidade, amada, não existe
no espaço, nem se faz de ruelas escuras
ou avenidas orvalhadas.
Uma cidade é mais que um conjunto
de edifícios, ou não é nada.
Uma cidade é um estado de espírito,
uma esperança,
uma paixão enrodilhada
num desvão de escada.
Uma cidade, amiga, é uma saudade.

- Charles Kiefer -                             - 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Cotidiano - por Rosalva Rocha

Uma carta-homenagem cheia de saudade
(17/11/2011)


Olá tia!
O nome da coluna não poderia ser mais providencial para esta carta que estou  escrevendo. Cartas? Elas infelizmente não existem mais. Foram aos poucos relegadas a não sei qual plano mediante a chegada da tecnologia. Mas sempre serão lembradas. Assim como bilhetes, lembretes, versos e tantas outras coisas que “parece” que a maioria das pessoas esqueceu.
Cotidiano lembra coisas simples, momentos prazerosos, encantamento com flores, compartilhamento de ideias, alguns risos, quando preciso alguns choros, mas todos eles embaixo de uma estrutura feita por pequenos pilares de madeira, arrematados com arames e totalmente cobertos por trepadeiras floridas. Quanta beleza!
Era exatamente lá o “nosso lugar”. O lugar que eu procurava, sempre que possível, para abrandar a minha alma com a “sua alma”.
Poucos anos se passaram desde o seu falecimento, mas esteja certa de que todas as minhas vitórias, todas as pequenas coisas que conquisto eu penso na senhora, certa de que estará toda orgulhosa lá no céu, como sempre se orgulhou com as pequenas descobertas que eu fazia e nunca deixou de externá-las. Como isto faz falta tia! Como faz!
Uma saudade imensa das suas palavras, das orquídeas milimetricamente colocadas em vasos para comemorar o lançamento do nosso primeiro livro, do seu empenho nos pequenos detalhes quando resolvi me unir “oficialmente” com um homem pela primeira vez. Tudo foi sempre tão mágico, são sedutor.
Sabe? Hoje pintei uma tela e pensei na senhora – ela não é delicada como sempre foram todos os seus trabalhos, mas tenho certeza de que algo está sendo visto com seus olhos brilhantes e alguma manifestação eu receberei de uma forma ou de outra.
A vida anda meio “seca”. Penso que faltam as flores do seu lindo jardim, as suas mãos delicadas tecendo trabalhos manuais que tenho guardados com um carinho imenso.
As suas linhas, agulhas, rendas, trancilins e fitas estão comigo e são seguidamente utilizadas para compor algo que, querendo ou não, tem em mim a sua inspiração.
Neste momento confesso que a queria por perto – muito perto. Fisicamente.
Em função dessa impossibilidade é que escrevo esta carta, que nada mais é do que o carinho imenso e a gratidão que me auxiliam a seguir sempre em frente, pensando que o belo está nas trocas, no carinho, no “curtir” o que se faz, no “buscar” o que realmente faz a diferença. Comemorar vitórias! Nem que seja com um abraço apertado.
Obrigada por toda a delicadeza que aprendi, sem ao menos perceber, com uma pessoa tão especial.
(à tia Theresinha de Oliveira Linde)