sábado, 31 de dezembro de 2011

Reflexões Tempestivas - por Artur P. dos Santos

TODAS AS MARIAS

Hoje me lembrei de uma passagem em minha vida: Talvez tenha sido para te contar antes que o dia acabe: Eu era jovem e empreguei-me em uma Padaria. Todas as filhas de meu patrão chamavam-se Maria. Uma era Maria Helena, a primogênita, a segunda era Maria Elisa, a terceira era Maria Conceição e a quarta Maria Beatriz, e ainda tinha uma sobrinha que ele adotou, que se chamava simplesmente Maria. E minha irmã mais velha também se chamava Maria. Adivinha como é o nome da mulher que escolhi para me casar? Pois é, Maria. E agora tu, a quem escolhi para contar esta história pela primeira vez. Sei que me atrasei alguns minutos. Espero que todos os relógios do mundo estejam atrasados também, pois quero homenagear todas as Marias, em especial a mãe de Jesus. Tenho certeza de que sabes, Maria Cristina, que seu nome era MARIA, de Nazaré.

sábado, 24 de dezembro de 2011

O Natal que eu queria - por Suely Braga

Eu queria um Natal

sem fome.

Onde a Paz

florescesse entre os homens,

Onde não imperasse

a maldade e a arrogância,

nem a corrupção

e a violência.

Sem guerra, sem genocídios,

Sem injustiças, nem exclusão.

Onde todos se amassem como irmãos.

Não uma festa de Noel.

A grande comemoração

fosse para Aquele

que trouxe a Salvação.

Uma festa de igualdade,

de fraternidade,

de solidariedade.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Cotidiano - por Rosalva Rocha

As cartas
(por Rosalva Rocha – 05/12/2011)

Acabo de sair de uma sessão de cinema; porém, um pouco diferente das habituais: recostada displicentemente no meu sofá, com direito à pipoca, um squeeze com água e meia-luz.
Assisti ao filme NOITES DE TORMENTA, emprestado pela amiga-colega Benette.
Como todo bom filme, saio enebriada, com divagações diversas e louca para ter com quem discuti-lo. Não é o caso de hoje! São 23h22m. No chances!
Mas de tudo o que se passou o que mais chamou-me a atenção foram as cartas, as cartas que sumiram, que não mais são entregues pelos carteiros, não mais apanhadas na caixinha do correio e “cheiradas” antes de abri-las. Sim, eu cheirava as cartas antes de abri-las, especialmente quando o(a) remetente era alguém especial na minha vida.
Cartas que transportavam emoções, letras grandes, outras miúdas, algumas palavras desencontradas e, no final, quase sempre um fechamento inesperado, sutil.
Elas, com sua magia, eram capazes de adornar dias e dias com uma ternura sem fim.
Aonde foram parar?
Como boa (ou péssima! – não sei), guardadora de memórias, há meses atrás coloquei fora uma caixa enorme repleta de cartas de amigos, conhecidos, amores. Algumas delas continham até mesmo dissabores, mas eram cartas! A sua partida deixou-me triste por alguns dias e certa de que a outra caixa que ainda possuo somente terá o mesmo destino quando o meu coração estiver mais forte.
Será o tempo? a tecnologia? a constante mudança pela qual vamos nos adaptando sem perceber, como nuvem que passa? Não sei e não busco explicações; só sei que, prá mim, deixaram maravilhosas lembranças – e o filme provou isto de uma maneira profunda.
Sendo esta provavelmente a última crônica para o Insônias do ano, faço aqui um propósito: recomeçarei a escrever cartas. Não ousarei pensar que será um sacrifício postá-las nos Correios e, muito menos, se elas tocarão ou não alguém. Certamente eu serei tocada ao escrevê-las. Já bastará!

sábado, 10 de dezembro de 2011

Autoajude-se com boa leitura

Uma cidade, amada, não existe
no espaço, nem se faz de ruelas escuras
ou avenidas orvalhadas.
Uma cidade é mais que um conjunto
de edifícios, ou não é nada.
Uma cidade é um estado de espírito,
uma esperança,
uma paixão enrodilhada
num desvão de escada.
Uma cidade, amiga, é uma saudade.

- Charles Kiefer -                             - 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Cotidiano - por Rosalva Rocha

Uma carta-homenagem cheia de saudade
(17/11/2011)


Olá tia!
O nome da coluna não poderia ser mais providencial para esta carta que estou  escrevendo. Cartas? Elas infelizmente não existem mais. Foram aos poucos relegadas a não sei qual plano mediante a chegada da tecnologia. Mas sempre serão lembradas. Assim como bilhetes, lembretes, versos e tantas outras coisas que “parece” que a maioria das pessoas esqueceu.
Cotidiano lembra coisas simples, momentos prazerosos, encantamento com flores, compartilhamento de ideias, alguns risos, quando preciso alguns choros, mas todos eles embaixo de uma estrutura feita por pequenos pilares de madeira, arrematados com arames e totalmente cobertos por trepadeiras floridas. Quanta beleza!
Era exatamente lá o “nosso lugar”. O lugar que eu procurava, sempre que possível, para abrandar a minha alma com a “sua alma”.
Poucos anos se passaram desde o seu falecimento, mas esteja certa de que todas as minhas vitórias, todas as pequenas coisas que conquisto eu penso na senhora, certa de que estará toda orgulhosa lá no céu, como sempre se orgulhou com as pequenas descobertas que eu fazia e nunca deixou de externá-las. Como isto faz falta tia! Como faz!
Uma saudade imensa das suas palavras, das orquídeas milimetricamente colocadas em vasos para comemorar o lançamento do nosso primeiro livro, do seu empenho nos pequenos detalhes quando resolvi me unir “oficialmente” com um homem pela primeira vez. Tudo foi sempre tão mágico, são sedutor.
Sabe? Hoje pintei uma tela e pensei na senhora – ela não é delicada como sempre foram todos os seus trabalhos, mas tenho certeza de que algo está sendo visto com seus olhos brilhantes e alguma manifestação eu receberei de uma forma ou de outra.
A vida anda meio “seca”. Penso que faltam as flores do seu lindo jardim, as suas mãos delicadas tecendo trabalhos manuais que tenho guardados com um carinho imenso.
As suas linhas, agulhas, rendas, trancilins e fitas estão comigo e são seguidamente utilizadas para compor algo que, querendo ou não, tem em mim a sua inspiração.
Neste momento confesso que a queria por perto – muito perto. Fisicamente.
Em função dessa impossibilidade é que escrevo esta carta, que nada mais é do que o carinho imenso e a gratidão que me auxiliam a seguir sempre em frente, pensando que o belo está nas trocas, no carinho, no “curtir” o que se faz, no “buscar” o que realmente faz a diferença. Comemorar vitórias! Nem que seja com um abraço apertado.
Obrigada por toda a delicadeza que aprendi, sem ao menos perceber, com uma pessoa tão especial.
(à tia Theresinha de Oliveira Linde)

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Nada Chega

Ingressos antecipados a partir de 17/11 na Mania de Loja e com Promoters da Região.
1º lote promocional: R$ 20 Fem e R$ 30 Masc.

domingo, 13 de novembro de 2011

No litoral

Cotidiano - por Rosalva Rocha

No jardim
(por Rosalva Rocha – 07/11/11)
E lá estava ela, regando o jardim, com os pés descalços, pensando no tempo que permeara a sua vida naquela casa, na mesma rua, com as mesmas passagens, os mesmos aromas, a vista de morros verdes e a lua que sempre aparecia no mesmo lugar.
Retornou ao passado enquanto a água respingava em seu corpo.
Seguia os conselhos de sua avó: regar o jardim sempre ao entardecer, sob pena das plantas serem queimadas sem dó nem piedade.
Naquele momento não queria dó nem piedade para as plantas e nem para si.
Sabia que o caminho percorrido até ali tinha sido intenso,
verdadeiro,
com choques elétricos que não mataram,
algumas navalhas mal afiadas que feriram – mas cicatrizaram e, por outro lado,
rosas desabrochadas,
comidas gostosas,
amores desafiadores,
paixões avassaladoras e
certa paz, angariada com o passar dos anos.
A mangueira d´água a seguia como cúmplice e o pensamento escorria como lágrima.
Uma brisa leve a acompanhou na finalização do trabalho, reforçando a certeza de que a vida é assim:
rodeada por fatos inesperados,
que devem ser relembrados,
sonhados,
nunca maltratados e  
vez ou outra jogados em um jardim ávido por água para alimentar o desejo de
ver crescer esperanças e energias por um novo tempo.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Pérolas do Rico - Socorro

SOCORRO, ESTOU SENDO DISCRIMINADO
  
Anos atrás fui fazer um curso em Brasília. Eram várias pessoas de diversos locais do país.
Antes das aulas se iniciarem, os participantes do curso recebiam o material – folhas impressas – com o conteúdo que seria tratado.
Logo no segundo dia, fui surpreendido ao receber as minhas folhas numa letra bem grande, creio que tamanho 16 ou 18 da impressão do computador. Perguntei por que razão. e os organizadores me disseram que era um direito meu, pois como era deficiente visual – tenho em torno de apenas 20% de visão – que eles não estavam fazendo nada demais e que, em qualquer circunstância desse tipo, eu deveria exigir o meu direito.
Agora, há pouco tempo, cancelei uma assinatura que tinha do jornal Zero Hora, pois os melhores artigos e, principalmente, os culturais, que são os que mais me interessam, são todos impressos em letra tipo itálico, o que me dificulta tremendamente a leitura, deixando de ser um prazer para passar a um sacrifício.
Entrei em contato com o jornal, mandei e-mail, sugerindo uma letra mais legível e, pensando em tantos outros que, como eu, sentem a mesma dificuldade. Nunca obtive nenhuma resposta.
Na semana que passou, fui a Porto Alegre para levar aos médicos alguns exames que haviam me pedido. Para evitar problemas com estacionamento, engarrafamento e outros contratempos, deixei meu carro no estacionamento do prédio onde tenho um apartamento. Tomei um ônibus e fui ao centro, descendo no fim da linha.
Depois de efetuar as minhas consultas e outras voltas, fui ao ponto de embarque e tomei novamente o ônibus. Desci na Osvaldo Aranha para ver uns livros em alguns sebos daquela zona.
Depois de perambular pelo Bom Fim, passar defronte ao antigo “Fedor”, famoso bar que não existe mais, dirigi-me para a estação Pronto Socorro para pegar o ônibus de retorno ao meu bairro.
Começaram a vir os ônibus, e eu não enxergava o destino. Mudaram os letreiros dos ônibus: colocaram um letreiro eletrônico, desses pontilhados de computador e que trocam a todo instante, informando as ruas que passam em seu trajeto.
Não teve outro jeito senão me socorrer das pessoas que estavam na estação. Pedi para me avisarem o ônibus que eu queria pegar.
Tenho um filho que reside no Rio de Janeiro. Lá eu ando de ônibus na maior facilidade, pois os carros levam bem à frente o número da linha, bem grande: 121 – 412 – 511 – 175, etc.
Imagino eu que o jornal queira ter mais leitores e que os ônibus, mais passageiros, mas com tal comportamento quantas pessoas eles estão alijando da sua clientela?
Muitas vezes penso que o deficiente sou eu, mas, na realidade, quem tem que enxergar mais adiante são os outros, pois pior que a cegueira dos olhos é a da cabeça.

Joelson Machado de Oliveira

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Reflexões Tempestivas - por Artur P. dos Santos

ERA QUASE PRIMAVERA

P/Artur Pereira dos Santos


Bastou pouco mais de meio quarteirão para observar a miséria em uma tarde comum.
Enquanto caminhava lentamente à sombra das árvores que ladeiam a avenida, ia à minha frente um homem maltrapilho: Calças esfarrapadas, ambas as pernas arregaçadas até quase aos joelhos, deixavam à mostra tatuagens sobrepostas, que impediam a descrição do que continha em cada espaço desordenadamente ocupado.
Elevando o olhar percebi que não eram apenas as tatuagens que careciam de ordem e nitidez. Os trapos completavam o quadro rústico encimado por uma cabeça, onde há muito não havia qualquer alinhamento.
Cabelos grandes e desgrenhados pareciam refletir o que cobriam: um cérebro em desalinho.
Seus passos tornaram-se mais rápidos ao avistar o contêiner de lixo postado próximo a uma das árvores. Continuei a olhá-lo pelas costas, enquanto debruçava-se sobre a borda procurando algo indefinido. Não era difícil imaginar do que se tratava.
A curiosidade fez-me parar logo adiante e esperá-lo, tinha quase certeza de que se tratava de uma pessoa jovem, o que comprovei tão logo aprumou o corpo e caminhou na direção de uma pequena lixeira oval, dessas que são afixadas em vários pontos da cidade. 
Vi balançar negativamente a cabeça, enquanto as mãos traçavam figuras no ar, como se falasse com alguém que só ele enxergava. Imaginei sua decepção por não ter encontrado o que procurava no coletor de lixo maior. Vá alguém saber por quanto tempo não se alimentava, pois em seu rosto eram visíveis as marcas da subnutrição.
A esquina da rua delimitou nossos caminhos: Ele passou para o outro lado da avenida em busca de outras fontes que saciassem sua necessidade e eu segui em frente antes que o sinal fechasse.
Ao atravessar diagonalmente a pracinha em frente ao supermercado, onde dezenas de ambulâncias ou carros de transporte de pessoas que consultam médicos na capital fazem ponto, deparei-me com um senhor de idade avançada, também mal vestido, sentado em um banco. Parecia esperar que alguém passasse ali e lhe prestasse um favor.
Logo que me aproximei esticou o braço e fez menção de entregar-me uma sacola contendo alguma coisa, pediu-me, em voz baixa, que a entregasse à Maria, apontando para outro banco a poucos metros, onde uma mulher, não menos maltrapilha, parecia dormir ao sol da meia tarde.
De início desconfiei, lembrando que poderia ser alguma coisa ilegal que quisesse passar a outra pessoa sem que as suspeitas recaíssem sobre ele. Quando vi, pela transparência da sacola, que nela continha um pãozinho e uma pequena caixa de papelão, aparentando conter uma espécie de geléia, concordei em prestar-lhe o favor.
Estendi o braço e levei a sacola até onde estava a mulher, que nem se deu ao trabalho de abrir os olhos, apenas balbuciou alguma coisa inteligível e continuou deitada. Certamente percebera a conversa entre mim e seu amigo.
Segui adiante pensando nas palavras de Victor Hugo: Só faltava, em pouco mais de meio quarteirão, ver a pior das misérias: a da criança, que, segundo ele, era pior que a da mulher, que era pior que a do homem.
Encontrei-a ao lado da porta do supermercado, de mão estendida implorava uma moedinha.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Capítulos da Josi

Avós

Estava programada para voltar ao blog trazendo vida e acabei tendo inspiração na perda.
Essa semana perdi a Vó Maria. Pra mim foi mais do que tristeza, foi misto de surpresa com desalento.
A vó já estava com a idade avançada e os órgãos teimavam em dar o ar da graça. Talvez cansados de tanta lida, resolveram gritar que o tempo passa. Mesmo assim, a gente sempre acredita que com o passar dos anos a gente conserta uma coisa pra logo estragar outra. Simplesmente assim eu pensava que seria, iríamos consertando e pronto.
Até que um dia tudo para e não tem mais conserto e eu, que sabia de tudo que acontecia, não estava preparada.
No fundo, “egoístamente” eu queria que meus avós fossem eternos, ainda que o corpo começasse a falhar. Falo em egoísmo porque mesmo sabendo da real possibilidade do sofrimento, meu pensamento era que ainda existisse vida.
Como acredito em Deus e acredito que ele faz o melhor, me resta o conforto nostálgico do passado.
Podemos dizer que tivemos os melhores exemplos, de retidão, honra e caráter. Fomos educados para respeitar e ter bondade independente de qualquer coisa.  Meus avós nos ensinaram que dinheiro não compra uma família unida e feliz.
E demos boas risadas!!! Ah Vó Maria... quem herdará o vocabulário que deixava o Vô Tuna com as bochechas vermelhas???
Quem nos explicará detalhes de certos assuntos com tanta clareza de expressão?
Quem baterá a melhor gemada do mundo e quem fará o único biscoito que molhado no café com leite é comparável aos doces oferecidos no Castelo de Buckingham?
Simplesmente não há substitutos, restam apenas os estilhaços das lembranças no coração e o gosto do doce na memória da boca.
Aprendi a não ter a pretensão de sermos melhores do que outros, mas posso me orgulhar de ter tido a oportunidade de conviver com pessoas tão especiais.
Eu queria muito que os meus filhos tivessem o prazer de conhecer meus avós, os três que já se foram: Vô Osvaldo, Vô Tuna e Vó Maria.
Fisicamente não terão. Mas terão chance de viver entre os frutos que terão muito a lhes passar. Além de serem protegidos e iluminados por eles  onde quer que estejam.
Aceitemos pacientemente a perda mas não aceitemos o esquecimento.

“Os avós eram de carne e osso
Tinham braços e pernas e cabeças
Arterias nervos coração e alma
Humanos como nós
Os velhos tauras
Mas de bronze e de ferro nos parecem
Como campeiros que fizeram historia
Estátuas vivas de perenidade
Nos pedestais do tempos e da memória”

Aparício da Silva Rillo

- Josiane S. Borges -

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Cotidiano - por Rosalva Rocha

Máscaras
(por Rosalva Rocha – 11/10/2011)
Tem uma frase do George Harrison (ex-Beatle) que diz mais ou menos assim: "O amor que você dá é o mesmo que você recebe." Copiei-a de um post de uma colega.
Sempre procurei pensar dessa forma e, por essa razão, sempre amei-amei-amei, doei-me. Muitas vezes extirpei meus pedaços negros e fui à luta com a brancura de uma onda, - o que ainda restava em mim.
Mas as vezes essa vida louca tem me mostrado o contrário, em situações muito repetidas. Nem sempre o amor que você dá é o mesmo que você recebe”.
Falo de todos os tipos de amores – que fique bem claro!
Até porque as definições da palavra são tantas que é impossível definí-la.
Falo do amor-bondade,
amor-reciprocidade,
amor-compreensão,
amor-razão,
amor-dever
Que eu não me engane que as pérolas ainda existam,
o mar refresque a alma,
o riso mude as estações
as palavras possam ser ditas
a cara possa ser mostrada e,
especialmente, as máscaras sejam extirpadas.
Porque,
penso eu, não há vida, não há cotidiano
sadio, não há faíscas de felicidade se armas
precisam ser usadas, mesmo que não se pense em guerra e só
se queira paz.

sábado, 15 de outubro de 2011

Reflexões Tempestivas - por Artur P. dos Santos

ENCONTRADOS NO BAÚ
P/Artur Pereira dos Santos

Domingos festivos
de tardes estreitas.
Saudades dispersas,
Amigos\Presentes.

Traços marcantes
de colina bucólica
Recitando histórias
Revelando sonhos.
Expondo sorrisos\Brancos
Em vidas recentes.

Entardecer de páginas
Pendurando histórias,
nos museus\Crianças.
De extrema leveza
Em brisa constante

Ass. Borges.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Auto-ajude-se com boa leitura on-line

ALGUÉM MATEIA COMIGO

VEZ POR OUTRA ALGUÉM SE ACHEGA, DE LONGE PRO MEU COSTADO,
     VEM, ME TOMA O PENSAMENTO, E ME TRANSPORTA AO PASSADO;
    -POSSO SENTIR SUA PRESENÇA, ENXERGÁ-LO NÃO CONSIGO...
     AO DE REDOR DO BRASEIRO ALGUÉM MATEIA COMIGO.

    NO CALOR DE UM FOGO GRANDE, HÁ UM RITUAL PRIMITIVO,
    FEITO UM ELO ENTRE DOIS LADOS NUM MOMENTO SENSITIVO;
   -SENDO ASSIM, DO MEU AGRADO, DESTE MUNDO ME DESLIGO...
    ENQUANTO DO OUTRO LADO ALGUÉM MATEIA COMIGO.

    TALVEZ SEJA UM DESSES ÍNDIOS DE XUCRA SABEDORIA...
    QUE, NAS HORAS DE REMANSO, QUANDO TUDO SILENCIA,
    ME OLHA SEM DIZER NADA, FEITO QUEM OUVE UM CONSELHO;
   ALGUÉM MATEIA COMIGO COMO SE OLHASSE NO ESPELHO.

    QUEM SABE TENHA SAUDADE DE UM TEMPO QUE JÁ FOI SEU,
    E VOLTE PARA MATÁ-LA NO LUGAR ONDE VIVEU;
    ALGUÉM QUE ASSIM COMO EU, TEVE A SORTE QUE BENDIGO
    E NA IMPRESSÃO DA SEMELHANÇA MATEIA JUNTO COMIGO.

   SEGUINDO O MESMO CAMINHO DESTE ALGUÉM QUE ME ACOMPANHA,
   ENCONTRO A PAZ QUE PRECISO NA IMENSIDÃO DA CAMPANHA!
   O GALPÃO DOS MEUS INVERNOS É, POR CERTO, UM TEMPLO ANTIGO,
   POIS, DO OUTRO LADO DA VIDA ALGUÉM MATEIA COMIGO.

Zeca Alves - inverno/2009
Na costa do lajeado e na santa paz de DEUS.

Acompanhe o blog do poeta Zeca Alves: http://zecalves.blogspot.com/

Rosa Morena


sábado, 1 de outubro de 2011

Cotidiano - por Rosalva Rocha


O voo dos pássaros ...
(por Rosalva Rocha - 22/09/2011)
 
Hoje, viajando pela auto-estrada, ouvindo uma boa música, sol no rosto, cheirinho de primavera chegando e pensamentos jogados aos ares.
De repente, olhando para o céu, uma revoada de pássaros, em bando.
Sincronia perfeita.
Encantamento - deslumbramento.
Formavam um belo desenho que se transformava a medida do meu olhar.
Todos do mesmo tamanho, no mesmo compasso, possivelmente voando nos mais acertados segundos.
Mesmo muito distantes, passaram-me a impressão de que estavam felizes, indo para algum lugar - talvez festejar - brindar algo que conquistaram.
Todos, sem exceção, com a cabeça erguida e o olhar para frente.
Um sinal?
Sim, prá mim sim! Os sinais existem!
Sentimento de que é a união é possível, de que o coletivo não desapareceu, de que agrupar-se é sinal de aprendizado, já que todos temos os nossos talentos e gostaríamos de conquistar outros.
Disciplina - respeito
Tudo perfeito
Neste mundo imperfeito
Onde sonhamos tanto em trilhar um caminho nada estreito.
 
Por que não seguí-los?

sábado, 24 de setembro de 2011

Reflexões Tempestivas - por Artur P. dos Santos

GAIOLA DOURADA
P/Artur Pereira dos Santos
O vento era o símbolo da liberdade. Tinha por cerca as árvores, que se inclinavam a sua passagem.
Os aramados, por ele trançados ao longo de seus domínios, serviam aos seus interesses e nunca à prisão de seus ideais.
Nunca houve quem limitasse sua benquerença ou fizesse resvalar pelos caminhos da desonra.
Em algum momento as forças, previsíveis para quem acompanha a evolução da tirânica insegurança, o expulsaram do chão que lhe dera vida, e onde pretendia ser pó no final da existência.
Acolhido entre os iguais, pouco se queixava do desterro forçado pelas circunstâncias. Ás vezes matava a saudade se dirigindo à velha morada e nela deixava rolar algumas lágrimas, que ocultava virando o rosto para que não vissem fraqueza e incapacidade de suportar a condição que a vida lhe impusera.
Com o tempo, o patrimônio que atestava a luta de sua vida tornara-se um peso morto e cada vez mais distante na memória abalada pela saúde. Era preciso desfazer-se e mantê-lo sob outra forma. Não a que ele sonhara para os momentos difíceis, mas a que melhor se apresentasse no contexto das necessidades.
Outras formas de sobrevivência se apresentaram com as mudanças. Algumas lhe remetiam a um aparente e merecido repouso. Entretanto, as marcas profundas da laboriosa existência cobraram seu preço: as pernas, que antes sustentavam o orgulho da espécie, agora se dobravam ao menor esforço e as mãos que trançaram, a seu gosto, o liame da vida, já não possuíam forças para seguirem o corrimão que encimava os poucos degraus que lhe permitiam ver o nascente e o poente desde a porta dos domínios que lhe acenavam.
Recusou-se, então, a ocupar o espaço que lhe ofereciam, embora merecesse repousar o corpo cansado nas melhores almofadas. De que adiantaria viver nelas ou em qualquer céu de liberdade que lhe fosse destinado, se já não possuía a força que o ajudara a domar potros, nem as asas que um dia lhe permitiram voar sobre as canchas retas das recordações.  Preferiu guardar a gaiola dourada no baú das experiências não vividas.
Continuaria a olhar o céu de todas as manhãs e a acenar aos amigos, desde a frente de sua outra morada, sem remoer mágoas, orgulhoso por ter legado aos seus a dignidade com que os homens devem viver.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Um 20 de setembro sem comemorações

Este blog não tem cunho político, tampouco eu sou uma pessoa ligada à política, ainda que ela se faça presente em cada canto de nossa história. Mas nesse 20 de setembro quero registrar que não houve comemorações em Santo Antônio da Patrulha, terra onde nasci e ainda hoje resido.
Foi um dia de tristeza para a maioria dos patrulhenses que não se conformam com a decisão tomada na véspera pela Câmara de Vereadores municipal: o aumento do número de cargos. Mas um povo que não vota com virtude acaba por se tornar escravo das suas escolhas.
Transcrevo abaixo as palavras de Silvano Marques, um patrulhense de coração e uma pessoa que muito faz para marcar nossa cidade cada vez mais forte no mapa:
"A cidade amanhece de luto após esta votação escandalosa da Câmara de Vereadores. Digam o que quiserem, mas a população levou um tapa na cara com isso que foi votado. Havia e ainda há uma clara manifestação popular CONTRA o aumento do número de vereadores. Um município pobre, onde buracos são maioria em relação ao asfalto, onde o lixo rola pelas ruas, onde nem todos conseguem atendimento médico...elevar o número de vereadores é um acinte, uma ofensa. Respeito opiniões em contrário, mas em pleno 20 de setembro, que essa "façanha" não sirva de exemplo a toda terra. Abraços."
Aproveito para encerrar a Semana Farroupilha do Insônias sem versos, meu protesto silencioso, enquanto reflito sobre minhas próprias escolhas e nossa responsabilidade pelos representantes que elegemos.
- Cássia Message - 

Pérolas do Rico

MULHER

A areia seca voava praia afora, tocada pelo minuano gelado.
Perto dali, na Vila da Barra, Catarina era consolada pelos vizinhos. O filho que tinha ido pescar, em alto mar, era para ter voltado e, com aquele tempo raivoso, ainda não aparecera na entrada da barra.
Já havia comentários entre os pescadores que o “São Tomé II”, barco dos pescadores da Vila, estava desaparecido, pois as outras embarcações que andavam junto já haviam retornado. A Capitania tinha ouvido chamados que, depois, sumiram.
As filhas de Catarina, irmãs de Daniel, tentavam acalmar a mãe, missão quase impossível para aquela mulher desesperada. – Estou com pressentimento ruim, era só o que ela falava. – Não é nada mãe. – Daqui a pouco o barco vai aparecer. – Deixa o mar acalmar, falou a filha mais velha.
Passaram-se horas naquela aflição, sem notícias. A noite abocanhou o oceano. Tudo escureceu. Foi uma noite insone na Vila. Os comentários fizeram serão.
No dia seguinte, mal amanheceu, a falação corria por todas as ruelas do aglomerado praiano.
Por volta do meio dia veio a trágica notícia: o São Tomé II havia afundado em alto mar. Foram vistos destroços por um navio cargueiro que fazia aquela rota. A Capitania passou a notícia para os pescadores.
Dias se passaram. Buscas foram feitas por vários barcos da região. Nenhum sinal de sobreviventes.
Semanas se foram sem nenhuma notícia dos tripulantes.
Catarina, na sua procissão de mãe, ia todos os dias na beira da praia, pela manhã e ao fim da tarde. Era uma fé inútil, somente alimentada pelo amor de uma mãe que alagava, ainda mais, a beira da praia, com as lágrimas sensíveis de mulher.

Joelson Machado de Oliveira

domingo, 18 de setembro de 2011

Auto-ajude-se com boa leitura - especial Semana Farroupilha (3)

Pealo de Sangue
(Raul Ellwanger)

Que mistérios trago no peito
Que tristezas trago comigo
Se meu sangue é colono, é gaúcho
Lá no pampa é que encontro abrigo
O cheirinho da chuva na mata
Me peala, me puxa prá lá.
Quero só um pedaço de terra
Um ranchinho de santa-fé.
Milho-verde, feijão, laranjeira
Lambari cutucando o pé
Noite alta o luzeiro alumiando
Um gaúcho sonhando de pé.
Quando será
Este meu sonho?
Sei que um dia será novo dia
Porém não cairá lá do céu
Quem viver saberá que é possível
Quem lutar ganhará seu quinhão.
Venho Rio Grande!
Velho Guaíba!
Sei que um dia será novo dia
Brotando em teu coração
Quem viver saberá que é possível
Quem lutar ganhará seu quinhão.